Por Daniel Lemos – Diretor da Real Protect

Tem sido cada vez mais comum acompanharmos notícias sobre ataques cibernético cometidos por hackers contra governos, empresas e até mesmo usuários comuns. Casos recentes, como o acesso aos dados do e-mail pessoal da presidente Dilma Rousseff e a invasão ao computador da atriz Carolina Dieckmann, alertam para o fato de que os Hackers estão mudando o mundo a nossa volta.

No final de 2010 deu-se início ao movimento que ficou conhecido como primavera árabe.  Esse movimento começou na Tunísia e se espalhou por outros países do norte da África e Oriente Médio, por meio de protestos e manifestações revolucionárias. Muito embora o início desse movimento seja atribuído a um jovem tunisiano que ateou fogo ao seu próprio corpo, como manifestação contrária às condições de vida no país, menos de um mês antes, em 28 de novembro de 2010, uma série de informações confidenciais foi publicada na Tunísia contra o governo do presidente Ben Ali.

As informações haviam sido roubadas de um servidor do exército norte-americano por um soldado e entregues ao site Wikileaks. Elas mostravam a visão norte-americana sobre os excessos da família do então presidente da Tunísia, a corrupção que havia tomado conta do governo e a fragilidade do apoio dos Estados Unidos ao regime.

Com as precárias condições da população, sem comida e sem emprego, e o vazamento de informações  mostrando que o governo não tinha tanto apoio internacional como se acreditava, em 18 de Dezembro de 2010 iniciou-se uma grande revolta que depôs Ben Ali.  Foi o resultado de uma atividade hacker de roubo de informações confidenciais, com um papel importante na historia mundial, ao derrubar um regime no poder desde 1987. O sucesso da revolta na Tunísia acabou inspirando outros países da região a iniciarem revoltas contra seus governos.

Em Janeiro de 2011, foi a vez do Egito experimentar uma grande revolta. Pela primeira vez na história, as mídias sociais e a internet estavam tendo um papel fundamental numa revolução para troca de informações e mobilização da população. Sabendo disso, o governo Egípcio mandou derrubar a internet e a telefonia móvel. A atitude enfureceu a população egípcia e também o resto do mundo.

Foi nesse momento que um grupo hacker, chamado Anonymous, tomou parte efetiva no confronto. Conhecidos como ativistas hackers, ou hacktivistas, o grupo Anonymous são conhecidos por se envolverem em causas a favor da liberdade de expressão e liberdade da internet. Após a interrupção do serviço de internet pelo governo, o Anonymous passou a oferecer para a população egípcia novas formas de conexão através de dial-up modems, criptografia e postagem de conteúdos em redes sociais. A revolução Egípcia foi ajudada pelas mídias sociais e o grupo hacker ajudou a manter o acesso à internet e às mídias sociais, mesmo quando o governo tentou derrubá-la.

Mas, os exemplos também estão mais próximos do que podemos imaginar. Em janeiro deste ano, uma quadrilha de hackers foi detida numa casa de luxo em Búzios, no Rio de Janeiro.  O bando fraudou contas pela internet e desviou mais de R$ 2 milhões de reais de correntistas, na maioria empresas.  Eles espalhavam malwares (vírus de computador), acessavam as contas e depois transferiam o dinheiro para contas de familiares e amigos. Com o dinheiro do roubo, eles alugaram uma mansão em búzios e  viviam cercados de luxo, drogas e muita festa.

Assim como a internet já faz parte do nosso dia-a-dia, as atividades “hackers” também estão presentes com frequência, sejam elas conduzidas com propósitos que poderiam ser considerados legítimos e moralmente éticos ou conduzidas por cibercriminosos, que roubam e extorquem cidadãos, com o propósito de obterem dinheiro fácil.

Em março, um oficial da inteligência norte-americana apontou que a ameaça de alguém atacar os Estados Unidos pela Internet é mais urgente do que ataques vindos de redes de terroristas globais. Ao mesmo tempo, o governo do país anunciou a criação de 13 times que irão conduzir ações de resposta a ciberataques. No Brasil, o governo liberou linhas de financiamento para projetos que visam melhorar a segurança nacional contra possíveis ciberataques.

Os governos estão cientes do impacto que atividades “hackers” podem ter no mundo. Cabe a nós, como cidadãos, compreendermos que, assim como estamos expostos a riscos quando saímos de casa, também estamos expostos a uma série de ameaças quando conectamos o computador ou celular na internet. O simples fato de nos mantermos alertas aos riscos da internet já melhora as chances de não nos tornarmos vítimas. Na dúvida, desconfie, não clique, peça ajuda a um especialista.

 

Este artigo foi publicado no site PC Mag. Confira aqui. http://pcmag.com.br/noticias/opinioes/como-os-hackers-estao-mudando-o-mundo